O Fundamento Teórico
Antes de qualquer cálculo ocorrer, devemos garantir que nossa busca não seja em vão. Começamos com o Problema de Valor Inicial (PVI):
$$y' = f(t, y), \quad y(t_0) = y_0$$
Teorema 2.4.2 afirma que existe uma solução única $y = \phi(t)$ para o problema dado em algum intervalo em torno de $t_0$. Essa garantia justifica nossa abordagem numérica; se nenhuma solução existir ou se ela não for única, nossos algoritmos podem convergir para resultados sem sentido ou divergir completamente.
A Ponte Integral
Quase todos os métodos numéricos compartilham o mesmo DNA matemático, derivado do Teorema Fundamental do Cálculo. Podemos expressar a evolução da solução $\phi(t)$ de um ponto ao seguinte como uma identidade exata:
$$\phi(t_{n+1}) - \phi(t_n) = \int_{t_n}^{t_{n+1}} \phi'(t) dt$$
Substituindo a equação diferencial $\phi'(t) = f(t, \phi(t))$, obtemos a Fórmula de Reconstrução:
$$\phi(t_{n+1}) = \phi(t_n) + \int_{t_n}^{t_{n+1}} f(t, \phi(t)) dt$$
Do Contínuo ao Discreto
Um computador não pode avaliar a integral de uma função desconhecida $\phi(t)$. Portanto, nós discretizamos. No caso mais simples, aproximamos a área sob $f(t, \phi(t))$ como um retângulo com largura $h = t_{n+1} - t_n$ e altura tomada no ponto inicial $f(t_n, y_n)$. Esse salto de uma integral curvada para um retângulo sombreado (como visto na Figura 8.1.1) cria a fórmula de Euler:
$$y_{n+1} = y_n + h f(t_n, y_n)$$
Aqui, $y_n$ representa a aproximação numérica do valor verdadeiro $\phi(t_n)$. O erro introduzido por esta aproximação retangular é conhecido como erro de truncamento local.